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02oct./15

O passado espera-nos amanhã

A enorme poesia do catalão Joan Margarit numa edição prodigiosa

 

Joan Margarit, poeta e tradutor da sua própria poesia, faz eclodir nela imagens belas e surpreendentes, sempre sob a égide disfórica da melancolia e do luto RUI GAUDÊNCIO

A Língua Morta editou uma antologia bilingue de poemas escritos entre 1970 e 2015 por Joan Margarit, um dos poetas maiores dos nossos tempos. Catalão, nascido em 1938, está traduzido em diferentes línguas, do castelhano ao euskera, do inglês ao alemão, do russo ao hebraico. Em português, idioma em que apenas estava publicado Casa da Misericórdia (OVNI, 2009), surge agora esta edição prodigiosa. Para além de um curto prefácio do autor, encontramos notas úteis de tradução e um longo posfácio (As casas e as perdas — notas para uma leitura da poesia de Joan Margarit) que lança os alicerces do mundo deste poeta. E ainda uma biobibliografia no final.

 

CRÍTICA (DIARIO ”PÚBLICO” 25-09-2015) – MARIA DA CONCEIÇÃO CALEIRO

 

Misteriosamente Feliz. Uma Antologia

Misteriosamente Feliz

Autoria: Joan Margarit

(Org. Miguel Filipe Mochila)

Língua Morta

Ler excerto

 

Poeta e arquitecto, Joan Margarit é uma figura culta, íntima e cosmopolita no que convoca, desprendendo do singular uma ressonância universal, uma reverberação que deixa cada semente modesta a vibrar longamente dentro do leitor; é um fazedor de frátrias, e aí reside a sua maior diferença face ao quotidiano sem mundo dos demais. De resto, é ele o tradutor da sua própria poesia (ou, melhor, o conversor da sua própria poesia, posto que habita duas línguas suas: o castelhano e o catalão). Nela, há diversos dados autobiográficos (pessoais, geracionais, políticos) que podem reconhecer-se com facilidade: teve quatro filhos, três raparigas e um rapaz, mas morreram dois (Anna pouco depois de ter nascido, em 1967; Joana, que sofria de uma doença genética rara e de origem desconhecida, o Síndrome de Rubinstein-Taybi, com um cancro, aos 30 anos). Também por isso, a morte está presente sob cada passo.

 

O húmus que acolhe a semente desta poesia — e quase em simultâneo, em paradoxo a faz deflagrar — é uma espécie de tristeza mansa, uma maneira de amar suspendendo o longínquo, uma dor ou uma sabedoria vegetal do tempo, do envelhecimento, da ruína pré-anunciada e já vivenciada de tudo. O que se traduz antes de mais no uso do imperfeito (a duração infinda) e numa textualidade aparentemente natural mas de facto feita de uma manipulação de certos recursos que se quer apagada (o apagamento em si, a subtracção, a retirada do sujeito, para além de maneira de fazer, são tema: há uma hemorragia das instâncias do poder e do querer): paralelismos, repetições inebriantes, cadências que musicalizam uma toada que se diria elegíaca. Mesmo quando os dícticos precisam no texto o tempo e o espaço, mesmo quando se escreve interrompido por um atrito qualquer, o passado (a sua sempre memória) talha o sujeito e é esse atrito na duração que cria o poema. Daí que o ethos desta poesia seja cerimónia e elegantemente disfórico mas mesmo assim não nocturno, avançando misteriosamente feliz. Em praticamente todos os poemas o autor escreve para um tu; é uma poesia intimamente dialógica, prova da sua explosão nascida para o aberto, seja o outro desdobramento do eu ou um nome explicitado (Joana, Raquel, Mari, uma figura mais ou menos conhecida, um lugar…): “Um telhado longínquo/ a estante vazia de um director de orquestra(…)/ o teu quarto ao clarear do dia/ (…) perdura no mais fundo: é donde vimos./ e é o lugar onde vai ficando a vida”. Um aspecto a sublinhar, subliminar a quem escreve, sensível a quem lê, é o pressentimento de um rumor (rumor de ti), um rumor inaudível, surdo e lírico, sempre presente e no entanto desfazendo qualquer presença.

 

Em Margarit, a poesia é também modo de misericórdia. Na agonia de Joana, escreve um poema chamado Poesia: “Como Sisifo,/ a vida para mim é esta rocha/ Carrego-a e conduzo-a até ao alto. (…)/ é uma forma de esperança. (…)/ Penso que teria sido mais triste/ se não tivesse podido arrastar uma pedra/ sem outro motivo que não fosse o amor./ Levá-la por amor até ao alto”; leia-se, na mesma senda, Perde-se o sinal, talvez um dos seus poemas mais belos e mais dilacerantes: “Não tenhas piedade do que foste,/ porque a piedade é demasiado breve:/ não dá tempo para construir nada./ de noite, num pequeno aeroporto,/ vês um avião que vai subindo./ vai-se perdendo o sinal. /E convences-te de que vives/uma época que, sem esperança, / é já a mais feliz da tua vida./ há uma outra poesia, haverá sempre,/ como há uma outra música./ A de Beethoven surdo. Quando se perde o sinal.”

 

O poeta desenha espaços fazendo neles eclodir imagens belas e surpreendentes, com referentes pouco usuais (as muletas azuis da Joana, o barulho na noite chuvosa de um carro do lixo), sempre sob a égide disfórica da melancolia, da perda. Experiências singulares, que, estranhamente, não se enclausuram, antes fazem comunidade, remetem para o aberto, expandem-se e expandem o leitor — e isso é uma grande arte. Até que o fio se estanca e a posia de Margarit — dilacerada, cruel, elíptica e abrutamente — faz estremecer a mansidão, ferindo-a como a lâmina que corta em Mari: “Ela acompanhou-te durante muito tempo/ todas as tardes, para ir à escola e à natação./ Foi a tua confidente, a amiga/ daquela dolorosa adolescência/ de lua de hospital e de azuis tardes/ de lenta juventude.// A tua Mari,/ as suas últimas visitas, quando os olhos/ te pesavam para dentro com uma morte/ que apagou todo aquele brilho/ atrás dos vidros embaciados do passado.// A Mari, o teu sorriso, o seu sorriso,/ o cheiro a balneários de piscinas,/ e tu nadando, nadando até à morte.// Agora a Mari sabe-o, despede-se/ de ti olhando as suas filhas. Sim, a Mari,/ a Mari grávida, que negou/ fazer os exames: não temia/ ter uma criança como tu.”

17abr./15

EL TIEMPO Y SU DESORDEN

Recogida en el volumen PALABRAS ADENTRO, DE JOSÉ LUIS MORANTE (ed. 4estaciones, edición de Manuel Lara Cantizani, febrero de 2003).

EL TIEMPO Y SU DESORDEN

Con Joana, una elegía de gran complejidad emotiva, el poeta y arquitecto Joan Margarit (Sanaüja, La Segarra, 1938 ) multiplica conexiones entre experiencias vitales y material literario, una característica reiterada en su andadura estética. Autor de amplia obra en lengua materna, los últimos títulos aparecen en edición bilingüe lo que ha contribuido a difundir un modo de escritura que por sobriedad discursiva y por la coherencia del sujeto poético halla siempre la complicidad del lector. Quien nos habla es una voz casi confesional que desdeña la impostura y que vuelve sobre ideas y obsesiones que confrontan realidad y sueños.

P.- ¿Entiende la poesía como un autorretrato?

R.-En Arte se suele practicar el autorretrato, aunque esto sólo resulte evidente en el caso de la pintura y la escultura. En mi caso se realiza a lo largo de los poemas, aunque la distancia entre el retrato que se proyecta y yo mismo se alarga y se acorta, y no le es fácil al lector o lectora calibrarla, pero tampoco pienso que para ellos este sea un asunto importante. En general, les basta percibir la distancia que con el propio autor simula cada uno de los poemas.

Pienso que se ha exagerado la importancia de esta distancia entre poeta y poema, o, dicho de un modo más preciso, entre la emoción y la conciencia. Si esa distancia fuese tanta como se ha pretendido habría más identidad entre poesía y novela. Ocurre que muchos poetas han confundido su manera de enfrentarse al poema con la manera como la poesía debe escribirse, y lo han repetido, y muy bien, estos últimos tiempos, y este distanciamiento ha acabado siendo un dogma de fe. Un caso en el que esta distancia era mínima es el de Baudelaire, como muy bien señaló Sartre. La “distancia” ha de ser la que dé lugar a un buen poema, que, al fin y al cabo, es lo que importa y, para esto, nos guste o no, no hay reglas.

P.- Los años de infancia discurrieron en la posguerra, un tiempo histórico con amplias connotaciones de sordidez y desamparo. ¿Filtraron aquellos acontecimientos una educación sentimental en formación?

R.-En los años de la infancia siempre hay acontecimientos que filtran nuestra educación, la sentimental y las otras. Para mí la posguerra fue una época, no un acontecimiento. En sus primeros años, que objetivamente debieron ser los más duros, supongo que me marcó sobre todo el continuo cambio de domicilio: Sanaüja, donde nací, un pequeño pueblo de La Segarra, en la Catalunya interior más pobre. Enseguida, Barcelona, en el pasaje Sant Felip, en el barrio de San Gervasio. Después, tres pisos distintos en Rubí, otro pueblo, cercano a Barcelona, del que mi madre era maestra. Mientras tanto, además, pasaba largas temporadas en Santa Coloma de Gramenet, junto a Barcelona, con mis abuelos y el personaje del poema Tío Luis, de Estació de França, que trabajaba en “La Maquinista” y en cuya cubierta puso una bandera catalana, por lo cual y con sus antecedentes tuvo que huir una noche que no he olvidado. Después Figueres i Girona, donde mi padre trabajó como arquitecto de aquel organismo que se llamaba Regiones Devastadas. Siete domicilios distintos durante mis primeros nueve años, de los que recuerdo sobre todo una sensación de soledad, sin amigo alguno.

A mis nueve años la familia se instala en la calle Maestro Pérez Cabrero, frente al Turó Park, donde entonces empezaban las afueras del oeste de Barcelona. Empecé el bachillerato y, al menos esto significó seis años de estabilidad. Esta segunda etapa, de los 9 a los 15 años, transcurrió con normalidad, si se exceptúa la imposibilidad de adquirir ningún tipo de conocimiento útil en aquel Instituto Ausias March donde nunca oí a nadie, ni a docentes ni a alumnos, hablar de este poeta cuyo nombre llevaba el centro. De este lugar hablo en el poema La profesora de alemán, en Estació de França. Fue una adolescencia algo canalla, entre novillos constantes y descubrimientos del sexo, siempre de pago, en aquel ambiente de represión que sí, recuerdo con un cierto horror mezclado con humor. Sin ser, ni mucho menos los “mejores años de mi vida” a los que alude Gil de Biedma, no tengo muchos malos recuerdos de aquella primera soledad ni de la reprimida y golfa adolescencia que le siguió. Después, en 1952, mi familia se trasladó a Santa Cruz de Tenerife y allí empieza mi historia de amor con con aquella ciudad y aquella isla, que he narrado sobre todo en Farewell, otro poema, también, de Estació de França. Esta historia es muy importante en mi vida, más importante, creo, que mi infancia.

P.- ¿La reflexión teórica sobre arquitectura tiene vasos comunicantes con la construcción poemática? ¿Proporciona herramientas de escritura?

R.-Agradezco a mi formación científica (he ejercido durante 34 años de catedrático de Cálculo de Estructuras en la Escuela Superior de Arquitectura de Barcelona) más que a la Arquitectura como Bella Arte, una disposición mental que me ha resultado de gran utilidad porque me ha ayudado a acceder al orden y a la claridad que necesitaba para mis poemas. Pienso que no es una coincidencia baladí que el Cálculo trate de lograr la máxima resistencia y estabilidad con el mínimo de material (en general, acero u hormigón) y que la poesía trate de decir el máximo con un mínimo de palabras. Esto aparte, es impagable la experiencia que para mí ha significado una parte importante de mi ejercicio profesional, la reparación y refuerzo de edificios habitados. De ello hablan por ejemplo, los poemas Recordar el Besòs, de Los motivos del lobo o Arquitectura, de Estació de França.

P.- Comienza publicando en la década del setenta cuatro libros en castellano y a partir de 1981 escribe en catalán. En una comunidad bilingüe como la suya ¿qué impulsa a elegir una lengua literaria u otra?

R.-La circunstancia personal de cada uno. En mi caso se contrapesaban el empleo del catalán en familia, pero sin ninguna influencia cultural, ni literaria ni política, que no fuese el mero empleo de la lengua –por cierto muy estropeada por la posguerra- con el aprendizaje cultural realizado en castellano. Pero, a mi modo de ver, el hecho definitivo fueron mis últimos años de adolescencia y primeros años de juventud en Tenerife, dode yo hablaba perfecta y corrientemente el castellano con su peculiar y bello acento canario, que lamento haber perdido. A estos años siguieron otros de estudios de Arquitectura en Barcelona pero con una particular circunstancia: yo era un muchacho tinerfeño que, con mis amigos canarios vivía en un Colegio Mayor donde, mayoritariamente, los estudiantes eran de fuera de Catalunya. En un caso tan complejo, se puede acertar o no en la lengua poética de uno, es algo muy azaroso. Por un lado, el convencimiento de que uno será capaz de aprender a escribir poemas y, por otro, un repetido no llegar a decir en castellano aquello que se quería decir, me hicieron intentar en catalán el paso desde este magma inicial, embrionario, donde se inicia un poema a su primera formulación lingüística. Esto lo he contado con cierto detalle en el prólogo a Estació de França. De aquellos primeros libros en castellano, Crónica, publicado por Joaquín Marco –la primera persona que creyó en mis poemas- en Ocnos en 1975, es el único que puede contener aún algún fragmento de cierto interés.

Al escribir el poema en castellano y catalán durante el, para mí, largo periodo de elaboración y corrección del poema, localizo mejor lo sobrante. Cada lengua detecta más fácilmente un cierto tipo de elementos innecesarios en un poema, palabras, imágenes, versos, etc. La superposición de las dos lenguas ayuda a dejar el poema lo más desnudo y elemental posible. Ahora bien, esto no es renunciar al escenario. Es montar otro tipo de escenario.

P.- Los escenarios poemáticos alzan ciudades proteicas, rincones de un indeterminado recinto interior. ¿ Son las calles estados de ánimo del yo?

R.-Siempre. El sujeto y el objeto coexisten en la poesía desde el Romanticismo. No creo que la poesía vuelva a renunciar a esto. Acaso se intenta en algunos trabajos experimentales que dejan fuera la emoción y, aun en estos casos, sucede más por incapacidad que por voluntad profunda, ya que suelen ser malos poemas disfrazados de vanguardismo. Otra cosa es como tratar esta coexistencia, dando preeminencia al objeto o al sujeto. Tengo tendencia, hasta en los poemas más subjetivos, a desnudar en lo posible el sentimiento –el sujeto- de manera que prevalezca una cierta sensación de objetividad en quien lee el poema. No sé si lo consigo, pero puedo asegurar que lo intento.

P.- En el interminable deambular hay contemplaciones que nunca son estériles, que inevitablemente conducen al poema: elementos marinos, el paisaje mediterráneo, la conciencia de lo temporal…

R.-Precisamente son los elementos que más riesgo corren de ser estériles, por su repetida utilización que los ha convertido en tópicos. Lograr reutilizarlos con éxito sin recurrir a la ironía o al sarcasmo es una de las operaciones poéticas más difíciles.

P.- La música casi nunca tiene carácter anecdótico. Parece una excusa para reencontrarse. ¿Es un espejo que equilibra?

La música y la poesía son, después de las personas a las que amo, mis principales recursos de equilibrio interior. Por ejemplo, después de la muerte de mi hija, lo que más me acerca a su invisible presencia son algunas piezas de música, concretamente de Bach: las suites de violoncelo, sobre todo interpretadsa por Lluís Claret, y las Goldberg Variations o las English Suites, sobre todo interpretadas por Glenn Gould.

P.- Luis Cernuda habló de una música fundamental, anterior y posterior a quienes la descubren e interpretan ¿Es ése su sentimiento ante una audición de jazz?

R.-De hecho, ahí, Cernuda ejerce de pitagórico. Entiendo la tentación de pensar que cualquier música se extrae de un océano musical anterior y futuro, previo a todo: hasta un hombre tan acerado como Cioran lo plantea así. Sin embargo, la música para mí es la que escucho y la que recuerdo haber escuchado. Esto solo ya me crea suficientes mensajes complejos, reales o procedentes de mi imaginación.

Respecto al jazz, tiene una gran virtud: nació humilde y, pese a los intentos de llevarlo a las grandes salas de conciertos, se mantiene en locales donde escuchar y conversar no están reñidos. La solemnidad de la música clásica, su pretensión, salida de su salida en salones aristocráticos, a veces me resulta cargante porque niega la evidencia de que escuchar música supone un sucesivo acercarse y alejarse en función de muchas y sutiles variaciones del estado de ánimo, causadas por uno mismo y por la propia música.

P.- Otro motivo de resonancia en sus libros son las relaciones personales. Parece que el tiempo siempre pone herrumbre en la convivencia…

R.-El tiempo pone herrumbre en todo. Creo que en el último poema de Joana es cuando he dicho esto de una manera más dura. Y, curiosamente, es el poema menos cercano al autor, el más distante de la emoción en el momento de escribirlo, el menos “real”, de todo el libro. Pero es poéticamente necesario.

P.- Los espacios de reflexión que abren los poemas ¿pretenden una reafirmación existencial?, ¿un toque de alerta a la conciencia frente a una realidad acomodaticia?

R.-Pienso que uno de los sistemas de entrada del arte en nuestra conciencia es levantar un poco el velo que la vida cotidiana va poniendo sobre todas las cosas, incluso sobre los sentimientos, y asomarnos a algo como si fuese la primera vez que lo percibimos. Es lo que a veces se llama factor sorpresa en un poema, y que debe estar presente siempre, en mayor o menor grado.

P.- El yo poemático deja patente un horizonte reducido. ¿Es el poeta un descreído? ¿Hay una claudicación del idealismo?

R.-A mi modo de ver, no es que el yo poemático reduzca el horizonte, sino que una característica de la poesía actual (y esto procede sobre todo de la poesía inglesa) es que el propio poema marca la zona en la que lo que se dice es válido. Precisamente, el gran ensanchamiento de horizonte en la poesía del s.XX ha sido gracias a su penetración en escenarios nunca planteados con anterioridad. Es tanta su variedad que es imprescindible que se perciban los límites de cada uno de ellos. No creo que esto afecte al grado de fe o de idealismo. En todo caso, esta sería una cuestión no específica de la poesía.

P.- En una trayectoria, cada lector elige un apeadero habitual. Eso es lo que a mí me sucede con Los motivos del lobo. Es ejemplar la dimensión simbólica de estos emparejamientos: el erizo y la falsa seguridad, la medusa y el fracaso del mito; el hombre que desea y el lobo solitario… ¿Remozan algunas composiciones la dimensión ética de la fábula tradicional?

R.-La fábula ha estado siempre presente en el poema (¿qué otra cosa hace Manrique en las Coplas a la muerte de su padre?). Pero es que la tendencia a la consecuencia moral (aunque esta suela ser una contramoral al uso) favorecen el hecho de que un poema moderno, sobre todo si es un poco más largo de lo usual, “parezca” una fábula. Pienso que sería más exacto decir que hay casos (otra vez la poesía inglesa, y pienso, por ejemplo, en Carver o en Frost) en que la narración breve y el poema tienen borrosa su frontera. De hecho, era una situación previsible. La identificación de un texto como “poema” ha pasado por muchas visicitudes: si no nos imponemos demasiado rigor podríamos decir que en una primera fase, donde no había más literatura que la oral, todo era poema. En una segunda fase, con sólo saber el tema –los personajes y el argumento- ya se podía decir si se trataba de poesía o no. En la tercera fase, la poesía se libera del cerrojo temático pero sigue distinguiéndose por el uso de rimas y medidas silábicas y de acentos. En el tramo histórico más reciente, creo que lo único que puede decirse como substancial de un poema son el ritmo y la concisión.

P.- Frente a los que piensan que la lírica requiere una cierta distancia que difumine las circunstancias subjetivas, en Joana usted se enfrenta a la poesía desde el fuego, cuando el ascua quema la carne y exige una respuesta inmediata. Deliberadamente ignora el aserto de Eliot sobre el poema como «emoción rememorada desde la tranquilidad»…

R.-Lo principal a dilucidar es si se trata de un buen libro de poemas, no cómo ha sido escrito. Hay poetas cuya obsesió es dejar constancia de su lejanía del personaje que habla en sus poemas. Esto siempre obedece a personales conceptos del pudor que, además, cambian con las distintas morales al uso según lugares y épocas. Por esto este tema se ha exagerado en una cierta época sobre todo cuando se superponía con el tema de la homosexualidad. Pienso, por ejemplo, en Jaime Gil de Biedma o en Elizabeth Bishop. Esta última llegó al paroxismo en la preservación de su “intimidad” en los poemas. Sin embargo, fue capaz de escribir sus cartas personales con un ojo puesto en su venta, que llevó a cabo en vida, inmediatamente después de censurar duramente a Robert Lowell por tratar de una manera demasiado franca sus asuntos matrimoniales en los poemas. Por cierto que fue Lowell quien ayudó a Elizabeth a vender sus cartas. Creo que no es un problema poético sino de moral personal. Pero ocurre que a veces se confunde la manera en que uno hace una cosa con la manera en que debería hacer esa cosa el resto de la gente. Otro territorio donde es frecuente esta confusión es en la poco interesante cuestión de si se debe escribir pocos o muchos poemas. No hay duda: los que escriben poco siempre tenderán a decir que esto es una garantía de calidad. Quizá sí. O quizá no. A mí me gustaría escribir mucho y bien, mejor cuanto más viejo me haga y, ante la posibilidad de estar intuyendo un buen poema, no siento nada que no sea la pasión por escribirlo.

Volviendo a Joana, seguramente utilicé la escritura de este libro como salvación. Durante aquellos seis meses, al acortar hasta casi reducir a cero la distancia entre la emoción y su toma de conciencia, me obligué a verme a mí mismo contemplando la muerte de mi hija y, por tanto, a ejercer un cierto control para no ser desbordado por la tragedia.

P.- Hay una sintonía de textura en sus más recientes entregas. La expresión poética aparece cada vez más desnuda, más natural, casi carente de aparato teatral. ¿La escritura es un ejercicio de ventilación?

R.-Que un poeta sea claro y que utilice un léxico parecido al del habla común de su momento histórico me parece una ventaja para el lector o lectora o al menos para el tipo de lectores que a mí me gusta imaginarme. Además, es una manera de intentar escapar de la perversión de escribir poesía para poetas o para docentes. En este territorio del “entendimiento” de un poema, me parece que la conclusión es simple: si un poema te ha gustado, es que lo has entendido.

Procuro huir de una degeneración que empiezo a notar y que consiste en un mal regreso al planteamiento clásico pero sin sus virtudes. Los comportamientos de los personajes dramáticos se deducían de su rango social y a él se adecuaban buenos, malos, feroces, depravados o lo que fuere, y esto se ha ido arrastrando hasta nuestros días, por ejemplo en la novela negra, donde, dejando aparte el propio laberinto de la intriga, los comportamientos morales de detectives, policías, corruptos o no, confidentes, prostitutas, mafiosos, son según un variado pero bien fijado conjunto de estereotipos. El ejemplo no es casual porque los personajes de muchos poemas deben mucho a Hammett, Chandler o Ross McDonald. Lo previsible de las reacciones morales de estos personajes que en los poemas rondan por bares y hoteles, sin que sepamos de qué viven, solitarios y sumidos en desamores cuyo dramatismo resulta muchas veces difícil de entender, o sea, de compartir, ha creado el mismo tipo de estandars que creó la novela negra.

Todos los puntos de partida me parecen buenos, pero en cada poema se debe arriesgar algo. Es indudable que unos años de práctica atenta y una cultura poética permiten escribir poemas mínimamente dignos. Es lo que se hacía –y a veces en latín y en griego- en las escuelas de la gran época de la Europa culta. Pero esto es transitar por una “zona central” sin riesgo, lejos de los precipicios y ahí no están los buenos poemas. Para encontrarlos, la andadura debe ser por el borde del precipicio, siempre con el riesgo a caer en él. Este precipicio es el del ridículo. Todos los grandes poemas se han escrito bordeando el ridículo.

La escritura de poemas, con la edad, se ha convertido para mí en una obsesión por despojar los poemas de todo cuanto no sea imprescindible, tanto por lo que se refiere a versos, palabras o argumento. Uno de los signos en los que reconocí mi madurez como poeta fue en la capacidad de despreciar versos que, siendo brillantes, no eran imprescindibles.

P.- Frente a consideraciones críticas que hablan de las postrimerías del realismo, en las últimas décadas, hay una notable floración nominal de esa tendencia, no sólo en castellano, pienso también en Ramiro Fonte, Pere Rovira y otros ¿Se siente parte activa de una propuesta estética ?

R.-Los dos nombres que usted cita corresponden a dos grandes poetas a los cuales admiro y de los que me honro en ser amigo –de Pere Rovira, además, amigo íntimo. Creo que escribimos en la misma onda y que ellos suscribirían gran parte de lo que digo en esta entrevista, pero no sé si formamos parte de ninguna propuesta estética. Nunca hemos hablado de ello. Lo cierto es que cuando varios poetas hablan y se juntan alrededor de propuestas estéticas o generacionales, suele ser un mero acto publicitario.

Las dos maneras más usuales, para mí, de acceder al poema son la contemplación de mis emociones o dejar que sea el propio poema quien vaya orientándose hacia esa emoción y acabe conformándola. El libro Joana sería un ejemplo de lo primero y los poemas Primer amor o El oráculo un ejemplo de la segunda. De todas maneras, yo diría que siempre subyace una experiencia personal en mis poemas y que mi trabajo del texto poético se encamina a acentuar esta percepción en su lectura, de forma que, leyendo un conjunto de poemas míos tenga la sensación de asistir a una representación autobiográfica. Incluso en poemas que se construyen sobre historias ajenas a mi experiencia directa, pongamos Tío Luis, de Estació de França, procuro establecer lazos entre la historia y el narrador.

Por lo que respecta al realismo, no conozco ningún buen poema que no lo sea, como tampoco conozco ninguno que no sea simbolista. No me gusta la apropiación de características muy generales e importantes para designar cosas de menor cuantía.

P.- «Helena es todos los sueños que la vida se ha ido apropiando» Si el tiempo deshabita, ¿qué patrimonio queda detrás de las palabras?

R.-La poesía es, en cierto modo, como la religión pero más complicada. Hoy tienden a desaparecer los órdenes superiores donde, inscribiéndose en ellos, las personas hallaban la paz interior. El orden –ya no superior- en donde hallar ahora la paz interior o, si se quiere, en donde hallarse uno mismo para llevar a cabo la paz entre sus diversas y a veces contradictorias personalidades, ha de construírselo cada cual. Cuanto más elemental sea este orden, menos nos sirve y antes se agota y, cuanto más complejo, más energías y capacidad intelectual y sensibilidad necesita. No hay muchas herramientas para construir un tipo de orden interior personal. En realidad yo no conozco, además del amor, más que la poesía i la música.

Platón, en el Banquete, explica que los seres humanos, en sus inicios, eran hombre y mujer a la vez. Los dioses, celosos de su felicidad, los separaron y, a veces, se vuelven a encontrar un hombre i una mujer que habían formado parte del mismo ser. Entonces sucede lo que llamamos un gran amor. Quizá sucede lo mismo con las palabras. Cuando un verso alcanza a decirnos lo que parecía inefable, es que les palabras han ocupado un lugar que ya habían tenido en la edad de oro de los lenguajes, desde donde comenzaron a ser desplazadas en episodios com el de Babel, en el inicio de una larga destrucción que culminaría en los diccionarios, las academias i otras miserias. A la poesía le ha tocado ejercer la nostalgia por aquella eda de oro en una infinita tentativa para recuperar el sentido i la fuerza de las palabras. La poesía no trataría, pues, de la construcción de espacios de la lengua que nunca hayan existido, sino que en el milagro probabilístico de un poema estaría la reproducción de un orden perdido. En estas circunstancias, el lector de poesía tiene más a ver -haciendo un paralelismo con la música- con el intérprete que con quienes han de limitarse a escuchar un concierto. Por esto hay tan pocos lectores de poesía, y por esto son tan fieles. Quienes han hecho el esfuerzo de aprender a interpretar un poema, de aprender a escuchar el orden fundamental de las palabras, han accedido a un mundo al cual difícilmente renunciarán. Toda esta platónica historia es, claro está, una fábula (como aquella música previa de Cernuda o Cioran). Pero reconozco que, para mí, las cosas alrededor de la poesía ocurren como si no lo fuese.

06abr./15

Joan Margarit: “Los políticos tienen la percepción de que la cultura es un adorno”

Joan Margarit: “Los políticos tienen la percepción de que la cultura es un adorno”

 

Escribe José-Carlos Mainer   en el prólogo a Todos los poemas (1975-2012) sobre Joan Margarit que pertenece al género de poetas  “…que no suelen abanderarse en la espontaneidad sino en la densidad. No buscan la humedad del sentimiento sino la quemazón del raciocinio  y decididamente escriben para mejor dominar y entender lo que han vivido, evitando absolverse a sí mismos (por lo menos no demasiado), sustituyendo la complicidad o el pudor por la destemplada lucidez”.

 

No vamos a discrepar de Mainer, faltaría más. Joan Margarit  es un poeta extraordinario al que en los últimos años parece que se le hace un poco de esa justicia, que merecería uno de los más grandes en esto de la poesía. Y aunque él nos dice con razón en la entrevista, que tiene lectores fieles desde hace mucho, nos

 

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permitirá que sigamos pensando que desde Joana el universo Margarit se abrió a muchos lectores y que desde entonces no ha hecho más que expandirse. Un placer hablar con uno de los más grandes. Gracias Señor Margarit

 

.- De repente dos libros en castellano Todos los poemas (1975-2012) en Austral y Amar es dónde, en Visor ¿Qué va a encontrarse el lector?

 

Desearía que se encuentre, en el primero, toda aquella parte de mi vida que está también en la suya. En el segundo, la búsqueda constante de ese lugar, muchas veces difícil, desde donde volver a amar una y otra vez: el centro del laberinto del ser humano.

 

.- ¿Sabe que si reuniera en un volumen sus prólogos y epílogos y muchas de sus entrevistas saldría un volumen de poética imprescindible?

 

Muchas gracias por el adjetivo. Me impresiona que usted lo vea así.

 

.- Catedrático jubilado  de Cálculo de Estructuras de la Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Barcelona, uno de los arquitectos más brillantes españoles mire que me cuesta casar esto con la poesía… 

 

Como arquitecto me he limitado a hacerlo lo mejor posible. He tenido la suerte de contar siempre con el socio y el amigo, Carles Buxadé. Quizá nuestro acierto fue desde el principio la multiplicación de nuestras capacidades gracias a esa amistad

 

.-Aunque por otra parte ha escrito en alguna ocasión que la poesía es la más exacta de las letras en el mismo sentido que las matemáticas son la más exacta de las ciencias. Digamos qué buscaba usted la exactitud

 

La exactitud no es más que una manía si no va acompañada de la concisión y el amor.

 

.- Inicio su aventura poética en 1963,  en lengua castellana, antes de alcanzar la cátedra de cálculo; pero tuvo que esperar una década para que su producción viese la luz y en 1980 comenzó a escribir en lengua catalana…Cuál es la diferencia aparte del éxito que alcanzó a partir de ese momento

 

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No conozco ningún poeta importante que no haya escrito sus poemas en su lengua materna. Es un tema mucho más difícil en el caso de los catalanes que en nuestra infancia tuvimos prohibido aprender a escribirla en la escuela, aquellos tiempos en los que tantas veces tuve que oír algo que al niño le resultaba incomprensible: “habla en cristiano”. La lengua, como el color de la piel o el lugar donde se viene al mundo no se elige. Por eso debe ser objeto del máximo respeto. Pero no son las lenguas el problema: son los hombres y mujeres que las hablan. Por mi parte, tengo dos lenguas, una materna y otra casi materna, ¿qué más quiero? Franco y algún que otro sucesor quiso que sólo tuviese una.

 

.- Ha declarado en algún momento que la poesía es la razón de su vida y que sin ella su vida carece de sentido, es una afirmación muy fuerte… ¿Y si no hubiera tenido éxito, si hubieran fallado los lectores?

 

El riesgo del arte es muy alto. El típico burgués del tópico, cuando le dice al hijo que quiere ser pintor: “Vale, pero primero serás abogado”, no va desencaminado, no es un tonto, no tenía razón el añorado José Agustín Goytisolo con su “Me lo decía mi abuelito, me lo decía mi papá…” El hecho que queden invisibles los miles de artistas que resultan ser fallidos por cada uno que resulta serlo de verdad no nos hace ser conscientes de la magnitud de este drama, de la cantidad de decepción y rencor que genera. Y ese artista ha de encontrar su verdadera recompensa durante la realización del poema. El premio del artista está durante, no después.

 

.-Independiente, en el sentido de que no se adscribe a ninguna generación, además de que por su profesión le mirarían un “poquito raro” la independencia da libertad, da miedo, da fuerza…

 

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Todo esto va en el paquete inicial del artista, de hecho formaría parte de la pregunta y respuesta anteriores.

 

.- Y si preguntamos por sus referencias, por sus lecturas poéticas, por sus maestros en el mejor sentido… ya que su madre fue maestra

 

Y yo la remitiría al prólogo de Todos los poemas, del cual, naturalmente, puede usted reproducir lo que desee.

 

Y la entrevistadora vuelve a releer el prólogo un poco avergonzada y claro se da cuenta de lo que ya sabía, que la lista de Margarit es interminable y su generosidad infinita, díganme sino…  Joan Maragall, Josep Carner, Espriu, Vinyoli, Marti i Pol, Jorge Manrique, Quevedo, Borges, Rosalía de Castro, Thomas Hardy, Larkin, Lowell, Elizabeth Bishop, Anna Ajmotova, José Emilio Pacheco, J.A. Goytisolo, Homero, Horacio, Rilke, Dylan Thomas, Baudelaire, Machado…De todos confiesa haber aprendido, haber descubierto, haber…

 

.-  Ha declarado “un poema debe tener una primera lectura al alcance del lector menos preparado; si no la tiene, es culpa del poeta siempre”, no se han enfadado y le han llamado la atención algunos colegas que defienden que la poesía es una “especie de néctar para elegidos”

 

Ellos son en poesía lo que en otros campos llamamos especialistas: el resultado de un intento de trasladar al arte y las letras un método que sólo sirve en ciencia y quizá ni ahí, sólo en la técnica: saberlo todo de nada… ¿Resulta que cualquier lector del XV podía leer a los poetas de su tiempo y a los anteriores y ahora para leer a nuestros poetas hay que hacer un curso previo?

 

Ocurre, sin embargo que también suele haber, por parte del posible lector, un equívoco: cualquiera que puede leer un periódico puede leer un poema, pero no con el mismo esfuerzo. La poesía tampoco regala nada. Es la diferencia entre ir a un concierto o interpretar una partitura con un instrumento. Cada uno de nosotros, con sus razones, su frustración, sus lealtades, su pasado, sus recuerdos, etc. es un instrumento. Leer poesía es tocar en ese instrumento una partitura llamada poema. Quien quiera acercarse a la poesía con un “a ver que nos dicen hoy” pierde el tiempo. Leer poesía sin concentración no sirve ni para los poemas más breves y aparentemente más sencillos de Antonio Machado o Gustavo Adolfo Bécquer.

 

.- Cómo compaginó tantos años su trabajo de arquitecto con su creación poética, no debía ser fácil

 

¿Conoce usted a alguien que haya dejado de acudir a una cita amorosa por falta de tiempo?

 

.- Me atrevería a decir que si hay un libro que le abrió las puertas con mayúsculas en castellano fue Joana, se habló tanto de ese poemario… se pasó de mano en mano, de repente descubrimos  a un poeta terrenal que sufría y lo contaba y que recordaba y no le ponía puertas a ese recuerdo o no más de las necesarias

 

En cuanto a Joana, si me lo permite, quisiera recordar aquí que es un libro de poemas, no pertenece a aquel género que se llama o llamó “lamento”, o a lo que hoy se llama autoayuda, o coaching. Hubo, durante su escritura,  muchos poemas que se suprimieron precisamente porque a mi entender no eran tales poemas.

 

. –Y luego toda su obra en cascada maravillosa y exacta, porque me imagino qué sabe que desde Joana tiene lectores fidelísimos

 

[Img #273993]

 

Joana es un libro del 2003 y mi obra completa empieza en el 1975. Y hace unos domingos The Guardian escogió un poema mío como poema de esa semana y tomó “Primer amor”, de 1995…A lo mejor alguno de los fieles ya lo era antes…

 

Seguro, la entrevistadora otra vez vuelve a sentir que se ha equivocado en la pregunta

 

.- Si vuelve la vista atrás siente que ha escrito mucho, lo justo o que se ha callado cosas

 

Sencillamente: lo que he sabido y podido.

 

.- Qué cambia cuando los poemas pasan del catalán al castellano o no es tan importante

 

Son dos poemas, de hecho, y un doble gozo que dedico a los nacionalistas excluyentes.

 

.- Dijo: Frente a la intemperie moral “hay pocas cosas que te puedan ayudar; acaso la poesía, la pintura, las bellas artes, la filosofía y, para algunos, la religión. No es gran cosa, pero no tenemos nada más”. Usted cree que quienes nos gobiernan aquí, en Europa…  se han enterado de esto?

 

Lo malo es que la ignorancia de los políticos, su posible percepción de que la cultura es un adorno, acaba siendo ignorancia legislativa y administrativa y, por tanto, llegará a alcanzar a los mismos educadores. Y entonces llegará ese cénit terrible, que es cuando el mal maestro dice: la culpa es del sistema. Y se cierra el ciclo de la incultura. Este ha sido un pecado de todos pero, en general,  más de la derecha que de la izquierda.

 

.- Decía Vicente Aleixandre que solo admitía una superioridad humana, la de la bondad, leyéndole a veces he recordado esa frase, pero ya ve con qué facilidad a los buenos se les tilda de tontos.

 

No, prefiero a Sócrates que creía que no hay ningún tonto bueno….

 

Charo Ruano

 

Enllaç a la notícia: http://salamancartvaldia.es/not/75823/joan-margarit-ldquo-los-politicos-tienen-la-percepcion-de-que-la-cultura-es-un-adorno-rdquo-/

31març/15

IDENTITAT

Què fer de les paraules al final?
Si vull trobar què sóc no puc buscar
més que en dos llocs: la infància i ara que sóc vell.
És on la meva nit és neta i freda
com els principis lògics. La resta de la vida
és la confusió de tot el que no he entès,
els tediosos dubtes sexuals,
els inútils llampecs d’intel·ligència.
Convisc amb la tristesa i la felicitat,
veïnes implacables. Ja s’acosta
la meva veritat, duríssima i senzilla.
Com els trens que a la infància,
jugant en les andanes, em passaven a frec.

31març/15

NOCES D’OR

Dona que enamores
amb una passió de cabells blancs el temps
i que mantens la teva pulcritud
freda de blau d’hivern.
L’amor és ara aquesta intel·ligència
d’una mirada eròtica i amable
que ja no necessita mentir més.

Del pati a nord que acaba sent la vida,
n’has fet aquest jardí.
Íntima Venus meva,
silenciosa sensualitat
de la força que té el nostre record.
Només el sexe escalfa.
Hi ha llàgrimes que són les més ben protegides.
Llops i voltors les guarden.

24gen./19

Joan Margarit: “Fer un poema és molt més difícil que morir-se”

Accés a l’entrevista al diari Ara:
https://www.ara.cat/suplements/diumenge/poema-mes-dificil-que-morir-se

 

Joan Margarit em convida a fer l’entrevista amb l’excusa de la publicació del seu últim llibre ( Per tenir casa cal guanyar la guerra, editada a Proa) a casa seva, a Sant Just Desvern. Com que hi arribo uns minuts abans de l’hora intento endevinar quina de les casetes és la de l’arquitecte. L’exercici no és difícil si has llegit el poeta. És una casa sòlida, de poble, de les de pati al darrere, sense pretensions ni mandangues. Confortable i lluminosa, impecable i càlida. Quan passo per davant per mirar-la, Margarit obre la porta i em crida amb amabilitat. M’ha vist per la finestra de la cuina i em convida a fer un cafè amb caramels de cafè amb llet. L’entrevista no comença ni acaba formalment, Margarit parla pels descosits i tot s’aprofita. Quan arriba en Francesc Melcion per fer les fotografies, li agraeix els seus poemes, i mentre treballa anem parlant de com ens ha ajudat a tants lectors quan la pèrdua et llança a la intempèrie. Hi ha una fotografia de la seva filla Joana i pregunto si va escriure sobre la seva mort en calent.

 

“Aquesta vegada m’ho salto i no faig els poemes en calent, els faig en roent. I si no surten, a fer punyetes la poesia. Vol dir que en el moment clau m’ha fallat. Aquest va ser el plantejament. Tothom està d’acord que res en calent. Però si tens una eina com la poesia, l’has de poder fer servir sempre… Et diria d’anar al despatx, però no n’he tingut mai”.

 

I on escrius?

¿On vols que escrigui, si només necessito un paper i una ploma?

 

Molts anys als bars, no?

A tot arreu. No he tingut mai despatx a casa i ara en tinc, perquè som sols en aquesta casa i em van dir que en tenia un.

 

En Francesc i jo mateixa creiem que ets un poeta que ajudes el teu lector.

Això ha de fer un poeta. O què ha de fer? Destorbar-lo? Deixar-lo indiferent? Per a què serveix, l’art? En aquestes memòries, que en diuen, hi ha una recerca d’un problema molt senzill. Per què he escrit aquests poemes? Em trobo als 80 anys que dec haver escrit uns 1.000 poemes a la meva vida, i en dec haver publicat uns 750. Per què he fet aquests poemes, i no uns altres? Per què no he escrit uns poemes com els d’Espriu, o com els de Foix, Celan o Yeates? He escrit aquests, per què? En el fons, perquè soc jo i no un altre. Aquesta pregunta també vaig pensar que era molt paral·lela a qualsevol lector. La cerca d’un mateix és universal. Aquest episodi que no em podia plantejar fins que hagués escrit els poemes havia de ser una recerca de solitud, i també podia servir de pauta o mirall.

 

Una experiència personal que és universal.

El que busquem en l’art, tant en un quadre de Gauguin com en una sonata de Haydn, o un poema, és dir “I si soc jo?” Aquest “I si soc jo” és el màxim consol. El nostre consol és mirar-nos al mirall. No en el sentit xulesc, sinó en el de penetració de veure’t en un lloc on pensaves que no sortiries. Et pots veure en un mirall que et dona una visió més profunda teva. Aquest és l’objectiu. Comprensió. Quan moltes vegades et diuen que una poema ha fet plorar, és perquè el lector ja estava en les condicions necessàries per fer-ho, i en afegir-hi el poema s’hi ha quedat. Aquest quedar-t’hi és el que busques, és el consol. És el refugi contra la intempèrie. Com que tot això fonamental t’ho has de fer tu i no t’ho fa ningú per tu, el poema et dona eines perquè tu vagis fent aquesta casa. Per tenir casa, cal guanyar la guerra. Quina guerra? La teva, evidentment.

 

La casa com una extensió d’un mateix.

La casa va ser també l’atzar, que influeix molt. La vida va molt ràpid; tots els tòpics com “Es pot aprendre dels errors” són romanços. Quan acabes de fer un error ja estàs preparant el següent. I si t’entretens gaire aprenent d’aquest error, el següent encara serà pitjor. Va tan ràpid que no tens temps de res. Per tant, l’atzar ha de ser favorable perquè descobreixis coses. Vaig tenir un moment, que s’explica al final del llibre, en què vaig poder enfilar el camí. En faig un resum. Acabo de fer l’ingrés a arquitectura. I cal veure què significaven les carreres d’enginyeria aquells anys, des d’abans de la guerra i la República, fins i tot, fins als anys 60 avançats, que per fi van canviar els plans d’estudi. Les enginyeries eren les que els poders, i especialment durant el franquisme, van destinar a ser les carreres del futur. El poder va decidir que els fills dels rics serien enginyers. Així no hi hauria problemes. Com s’assoleix això? Molt fàcil. Enginyeries, totes a Madrid. Alguna a Barcelona, industrials i tèxtils. Agrònoms, camins, comunicacions, a Madrid només. I l’arquitectura es considerava una enginyeria i es feia a Madrid i Barcelona. I prou. Enlloc més. En segon lloc, hi havia un ingrés brutal. Brutal vol dir que si anaves a fer els exàmens de dibuix, de 300 alumnes n’aprovaven sis. Punt. El meu curs en vam ingressar 15. Això deixava els pobres fora de joc. Era una carrera de rics, tant que fins i tot n’hi havia com els enginyers de camins que sortien amb feina a l’Estat des de la facultat.

 

Dius que vas tenir un cop de sort.

Vaig ingressar-hi en tres anys. Tot eren felicitacions, en aquell moment. Jo estava venint amb el vaixell des de Tenerife, i ja volia ser poeta. I què fotia aquí d’arquitecte, si volia ser poeta? I deixo la carrera. Me’n vaig a treballar a una editorial. Per sort, a l’editorial em posen a fer un diccionari tecnològic que consisteix a copiar-ne tres de ja existents. Quan fa dos mesos que copio, em dic que potser no era això. Si el lloc per ser poeta era això, potser l’estàvem espifiant. Llavors es produeix un altre element atzarós: no en puc dir afortunat ni de sort.

 

Les inundacions del Vallès.

Amb 20 morts. Les veig de molt a prop. El meu pare, que era arquitecte del Ministerio de la Vivienda, el fan de seguida del comitè d’emergència, ajuda i reconstrucció del drama aquest. Aquella mateixa nit, jo la passo portant el meu pare en cotxe a l’Hotel Regina, on hi ha el quarter general de vigilància. Passo la nit a la vorera del davant, amb tota la tromba d’aigua, dins del cotxe, escoltant la ràdio. El meu oncle era a Rubí traient gent de l’aigua, i després m’explicaria com molts li relliscaven i l’aigua se’ls emportava. I m’adono del que és una casa. Es va endur totes les cases fetes a la llera del riu. Em ve a la memòria una de les coses que ens havien explicat, o havia llegit, a l’ingrés d’alguna assignatura: el codi d’Hammurabi. El primer codi civil de la humanitat. Quin és aquest moment en què la humanitat fa el gir, i té fins i tot codis civils? El moment en què deixen d’anar a les coves i fan cases. És el gran moment estel·lar de la humanitat, quan decideix que no cal buscar forats per anar a dormir, es pot fer una casa al costat del riu, si vol. Ja veurà els perills, després. Però pot fer-se cases. I és quan ve el codi d’Hammurabi. Ve perquè fa ja 100 segles o no sé quants que es va passant de la cova a la casa. I diu el que després diran: si la casa cau i mata el fill de l’amo, matarem el fill de l’arquitecte; si mata la dona de l’amo, matarem la dona de l’arquitecte, i si mata l’amo, matarem l’arquitecte. Això ja no és així, però sempre he viscut amb l’avís dels advocats present: si cau una casa, no t’entreguis mai el primer dia; ves-te’n i entrega’t al cap de 15 dies. Els arquitectes hem viscut amb això, i et puc explicar nits sinistres sobre aquest tema. Una casa ha de ser segura, ha de ser el teu lloc. Com es fa una casa segura? Quina seguretat té una casa? Com saps quina té casa teva?

 

No ho sé. Hi confio i prou.

Casa teva, suposant que estigui ben feta, té una seguretat d’1/30.000. Això vol dir que si fem 30.000 cases com la teva, en caurà una. Però no saps si és la primera o l’última. Sempre hi ha un punt de desconeixement. I el país ric té una seguretat d’1/50.000 o 1/40.000. El país pobre no en té cap. O la té més baixa. Per això quan es produeix el terratrèmol dels anys 50, moren mig milió de marroquins. I el mateix terratrèmol al Japó, als hotels continuen prenent el te. Perquè un ha construït una casa d’1/30.000-40.000, i l’altre és d’1/3.

 

En aquell moment cristal·litzen la poesia i el càlcul d’estructures.

Noto que això és a prop de la poesia. I que fer diccionaris per a una editorial o entrar a la carrera d’arquitectura a fer de decorador, a la poesia no li agrada. Però lligo caps i noto que a la poesia, la seguretat de la casa i la persona, la intempèrie, buscar refugi, sí. I he de tornar a l’escola per buscar aquesta zona. Llavors començo les assignatures de càlcul i comença la meva vida de poeta i arquitecte.

 

L’arquitectura i la poesia estan tan juntes que escrius poesia quan allargues les visites d’obres.

Més de la meitat de les meves obres estan escrites en bars de paletes, per entendre’ns. El primer que feia quan anava a una direcció d’obra era mirar on eren els bars del voltant. Això, naturalment, l’hi preguntava a l’encarregat i als paletes, que de seguida ho sabien. Un dels poemes que m’estimo més és un que es diu Recordant el Besòs. És per un projecte d’arquitectura. Més que d’haver fet l’Estadi de Montjuïc, hi ha tota una part meva que m’estimo moltíssim, potser la que més. És una llarga temporada durant la qual el nostre estudi va estar reforçant, mantenint i posant al dia tots els habitatges que es van fer durant el franquisme als anys 40 i 50, amb les primeres migracions espanyoles; primer la dels murcians i després la dels andalusos, bàsicament. Havies d’entrar a la casa d’aquesta gent, pobra, que portava 40 anys vivint en uns règims a qui se’ls en fotien els pobres. No es refiaven de tu, perquè anaves amb americana.

 

A primera vista, formaves part dels altres.

I anaves a fer unes coses que sabies fonamentals. Eren edificis sense fonaments. Edificis que no lligaven amb la claveguera i portaven 30 o 40 anys tirant la porqueria al seu soterrani, on no baixava ningú perquè era tancat hermèticament. Però què hi passava? Si hi tires la porqueria, els gasos estan a punt d’explotar. Havies de saber que per picar i foradar això, havies de demanar al paleta que apagués la cigarreta. Si el paleta la portava en fer el forat, podia saltar tot pels aires. Coses d’aquestes. Aquell poema és l’entrada en una casa del polígon del Besòs, on fèiem fonaments nous. Primer has d’entrar a totes les cases, veure i interpretar les esquerdes, veure què li passa a l’edifici i prendre decisions basant-se en aquesta interpretació. Les inspeccions eren impressionants. Els avisaves que a les 9 del matí començaven, i potser entraves a 30 habitatges. Hi veus de tot. En aquest poema, entrem en un habitatge on amb prou feines hi havia mobles. Les habitacions eren matalassos a terra on hi havia criatures i gossos. Els grans no hi eren. De sobte, a la cuina, apareix un noi de 16 o 17 anys escoltant música. Un munt de vinils mig trencats. La pica plena de plats bruts amuntegats amb verdet. No ho oblidaré mai. I el tio estava escoltant Bach.

 

D’aquí surt un dels teus versos més coneguts: “Per aquest món cap més futur que Bach”?

Sí. T’explico això perquè és un error dir que vida i poesia són el mateix. Aquest és el gran error romàntic. Hi ha una conferència de Stefan Zweig, ja grandet (ja no era romàntic, havia sortit Hitler i tot) en què diu que llavors començava la poesia perquè teníem un poeta pel qual vida i poesia eren el mateix… Hem cregut cada ximpleria pel fet d’embolicar-la una mica amb música o poesia! Que no sap que la vida està per sota de tot? Que la vida surt en tot? La poesia, la lampisteria, tot. Tot surt de la vida. Sigui poeta o lampista. Quina falta de sentit comú… La conya dels sentiments, que si estan al cor, i la intel·ligència, al cervell. D’aquí en avall (s’assenyala el cap) només hi ha trastos al servei d’això. Tot és aquí. ¿Això meu és amor? Si vostè estima sense intel·ligència, déu nos en guard. Què més li pots demanar a un amor, que sigui assenyat i amb intel·ligència? Si no, és una bestiesa.

 

Que no has fet ni poesia ornamental ni arquitectura decorativa, vaja…

Això és la poesia i per això algú diu que va ser útil. Si creiem totes les altres ximpleries, no arribem a ser ningú. Per a això serveix la poesia, un poeta, un pintor. Quan veig un quadre, el primer que em dic és si em faria plorar en una circumstància adequada. No vaig plorant per les exposicions, però si m’hagués passat no sé què, podria arribar a plorar mirant aquest quadre? Si arribo a la conclusió que no, per a mi és un quadre intranscendent. Em val per a Haydn o per a Gauguin.

 

També ets un poeta de la vida i de la mort, per dir-ho d’alguna manera, de la vida al complet.

Sí. L’aventura de la Joana va ser molt important, també. I també l’atzar. Era una persona amb un retard mental important, tan important que mai va poder llegir quotidianament. Podia llegir unes frases, amb molta dificultat. I l’escriptura igual. Era una persona que no podies deixar sola a casa mai, però en canvi venia a tots els concerts on anàvem. Estàvem en un concert i podia gaudir sense impacientar-se d’una simfonia de Beethoven i d’una sonata de Schubert. I era tot amor, tot afecte. Per una raó: va descobrir de seguida que l’afecte era la seva arma; no en tenia cap més. Per això quan estava dubtant amb alguna persona, li deia “T’estimo”. Era la seva eina de defensa. Quan va néixer no sabíem de què anava aquest tema, i la primera reacció és dir que no pot ser, per què t’ha tocat això, traieu-m’ho de sobre. Fins al dia que t’adones que això és la teva filla, i comences a veure les virtuts d’aquella persona. No he trobat mai ningú amb tanta bondat com la Joana. No reconec ningú. Han passat 18 anys i encara, depèn de com estic a casa, passo els dies perfecte, però sempre n’hi ha un, no saps quan, que t’atures davant un retrat i et fots a plorar. 18 anys després. I content de fer-ho, a més. És una manera. Tot serveix per a l’alegria. Si el panorama el tens ben traçat i les vies d’arribada als llocs les tens ben estudiades, gairebé tot serveix.

 

El problema és el trànsit, no?

Esclar. El problema és saber els camins. I hi ha gent que no en té ni idea. La cultura, que en diem, no són castellers, futbol o política. La cultura és això, el que et permet fer una via entremig de tot aquest desgavell, entendre’t i arribar a llocs on de sobte no fa fred. La cultura que no serveixi per a això, ja te la regalo. L’illa del tresor de Stevenson serveix per a això. Una mala novel·la no serveix per a res.

 

El trànsit només es pot fer amb la cultura?

Amb la bona cultura. Dins la massa de la cultura es cola tot, i tu has de fer la tria.

 

I l’amor?

L’amor és molt complicat. Es barreja amb la supervivència. En un dels últims poemes que he escrit, hi ha un vers que, no sé per què, m’estimo molt i diu “L’amor no són els fills”. És una altra cosa. Dedicació, vigilància, el que vulguis, però no sé si és amor. Diria que no, que és una altra cosa que fem encantats, que ens porta alegria, però no sé si és aquesta paraula. L’amor és més a prop del desig. El desig és bàsicament ignorància. Per desitjar una cosa has d’ignorar-la. Quan saps perfectament què és aquella cosa, no la desitges. T’hi pots entendre, però no la desitges. Per això la famosa tristesa post coitum. És que abans ignores i ho desitges, i quan acabes de fer-ho se’n va el desig. Llavors entens què és allò, i s’ha acabat la història. Arriba la tristor de no haver-te’n adonat.

 

Una vegada em va dir un senyor molt gran que l’amor és un malentès.

És ignorància. Evidentment. Perquè tu miris la lluna i et recordi aquella senyora amb qui vols anar-te’n al llit i estimar-la. Home, per fer aquesta jugada has d’oblidar-te de què és la lluna. Un tros de pedra flotant a l’espai. Te n’has d’oblidar i l’has de fer símbol d’una cosa que torna a ser una altra trola. És una altra cosa, també. I tot això va passant a la velocitat que va la vida, com una autopista sense sortides laterals ni gasolineres.

 

Potser és també una qüestió de voluntat, aquesta ignorància o malentès. Hi has d’estar disposat.

Crec que és el problema de la col·lectivitat. Som una espècie que s’assembla més a les abelles i formigues. Si no viuen en comunitat, es moren. Tu no tens defenses sol. Per tant, has de viure en comunitat. La mateixa comunitat s’arma de solucions perquè allò sigui possible. La comunitat et menteix sobre coses com aquestes. T’ha de mentir, el tram tan ràpid de la vida té dos extrems nítids. No dic nets perquè sembla moral, i parlo de característiques. El primer és nítid perquè no té cap brutícia prèvia i ho ha de fer tot en quinze anys. Són els fonaments de la casa, que és el que busca aquest últim llibre. Són els fonaments de la persona. No és la casa, no saps si tindrà ornaments, ni quantes finestres hi haurà, ni quina façana tindrà. Però no tot és ignorància; si veig fonaments, sé que en aquells fonaments es pot fer una casa de sis pisos, però no de 30. Sé si tindrà dues façanes o quatre. Sé moltes coses, però no ho sé tot. Vindrà la vida, amb tots els seus atzars, i farà la casa. Però el fonament diu moltes coses, si el saps mirar. Tantes, que pràcticament t’explica els poemes que faràs quan tinguis 50 anys. L’altra edat així de nítida és la senectut, l’altra punta. Però té una característica: qualsevol edat serà jutjada per tu mateix des de la següent. Quan ets una persona madura, jutges la joventut que has tingut. Això passa amb totes les edats menys amb una, l’última no la jutjaràs. Ni tu.

 

Què et dona, això? Llibertat?

Exactament. Et pots morir d’un càncer, però seràs lliure. No suportaràs cap judici. Això és importantíssim. Són les dues úniques edats. La primera no la jutjaràs perquè no pots jutjar una infància. I la senectut, pel mateix motiu tampoc. Tot això del mig és el que en dic el lío. Perquè la paraula catalana no em serveix. Embolic és una gilipollada comparat amb el lío. Embolic mai pot ser un drama, i un lío pot ser dramàtic. Aquest lío és necessari, a més. Si el desfessis, no hi hauria ni pa als forns ni carn als supermercats, ni arribarien els trens. Hi ha de ser, però és un lío. Quan em diuen si continuaré les memòries, no em vull ficar més en el lío. Ja n’he sortit.

 

El ‘lio’ està explicat als poemes?

Si en alguna lloc és, és als poemes. Tu pots fer unes memòries del lío si ets el Churchill. En el fons no fas una introspecció teva. Has estat en un lloc on has vist més coses que la resta de mortals, i si tu fas unes memòries d’aquesta zona del teu lío, explicaràs coses de la Segona Guerra Mundial. Hi ha casos en què són importants. Però per a una persona que hagi tingut una vida senzilla sense grans coses, què has d’explicar? No té cap interès. La veritat ha de ser saber sempre el que busques. Pots fer una obra d’art o una mamarratxada. Però has de saber què busques.

 

Sempre saps què busques, quan escrius un poema?

Sí. Moltes vegades el poema et vol dir el que està buscant i no t’ho diu bé, i d’entrada no ho saps. Però si continues treballant el poema, quan pots dir que hi ha un poema, és quan al cap d’un temps sap el que busca. A vegades són pures intuïcions després de temps treballant sense saber cap on va.

 

Et sorprèn a tu mateix?

Hi ha sempre un moment d’incertesa en què una intuïció, la inspiració, pot ser falsa. O que tu siguis tan patata que no sàpigues interpretar-la i no te’n surtis. Perquè serveixi, cal saber què vol dir i què estàs buscant amb aquella inspiració, buscar-ho i trobar-ho. I muntar-ho amb unes paraules que li puguis enviar a una persona. Si no pots enviar-ho, no serveix per a res. Jo no em llegeixo a mi mateix. Ben mirat, la ximpleria és el poeta que escriu per a ell mateix. Escriu un diari íntim, i tampoc el llegiràs perquè és el més avorrit que hi ha.

 

Per a qui escrius?

Per a tots els altres. És l’única manera que he trobat en la meva punyetera vida de complir. Estimar els altres. No em puc posar a estimar una persona que acabo de conèixer. Com es fa, això? La meva dona i els meus fills sé com estimar-los, però sortint d’aquest cercle no en tinc ni idea. Cada un ha de buscar la seva manera. La meva eina és aquesta.

 

Aquestes memòries parlen dels fonaments de la teva infantesa i joventut. Com els definiries?

Un nen, si no li pegues i l’alimentes, no sap si és infeliç. Com després de la guerra, que hi havia nens feliços. A mi no em van pegar i m’alimentaven. Els deu primers anys de la meva vida devia viure en quinze domicilis. Sense escola i canviant de casa vol dir sense amics, vol dir soledat. Però li dius a un nen que no sap que no s’ha d’estar sol i s’espavila. Records d’infància malaurada no n’hi ha ni un. El tió a Sanaüja només portava una cosa, dues taronges. I recordo l’espectacle de veure-les baixar.

 

Però descobreixes què és la bellesa.

Recordo la Devesa de Girona. Immensa, fora de la ciutat llavors, absolutament sol, i recordo la tardor. Saps el que és aquella Devesa infinita d’arbres, els plàtans alts, i que de tots comencen a caure fulles. O sortint a la terrassa de casa i veient aquesta foto de teulats i catedral. I la meva mare, que potser portava sis mesos sense veure-la, i tenia un cert neguit per ella. Mirant això, el neguit baixava. Estava descobrint què és la bellesa. L’autèntic coneixement és reconeixement. De petit ho tens tot: bellesa, poesia, veritat. Però no saps que ho tens. Saber que surts a la finestra, veus Girona i et distreus d’una cosa que et preocupa. Vaig descobrir dues coses, amb això: que conèixer és reconèixer; i que si algú t’explica una cosa i no l’entens, és que no la sap.

 

En aquells fonaments hi ha la bellesa, l’amor de l’àvia.

El lloc on està més descrit és el poema Coratge. Tinc quatre anys, veig l’àvia pixant dreta a la vora del camí. No portaven calces. Per no esquitxar el vestit llarg, es posaven a la vora del camí i veies el raig groc. I sort en tens, d’aquella dona. I el poema acaba dient que no és literatura, no sabia llegir.

 

Què t’agradaria haver ensenyat als teus alumnes?

A reconèixer tots els temes aquests de seguretat. Una casa segura és un lloc on no fa fred, on no et veuen quan estàs amb la teva dona. En què els teus fills estan a recer.

 

Tornem a la lluita contra la intempèrie.

Si em poso vell pallisses, puc fer una apologia de la catàstrofe. La meva relació amb el futur ja és nul·la. Aquesta organització de la vida et porta a dos fracassos importants. Si no t’adones que quan ets jove has de matar el pare, en termes psicoanalítics, si no mates el pare, no et realitzes ni saps qui ets. Però és que a l’altra punta has de matar el fill, en els mateixos termes. Si no, et transformes en un vell idiota. El vell que es pensa que el millor és ser jove. Què pots desitjar, amb alegria, si no és que acabi tot d’una punyetera vegada? Jo moriré i no se m’acudirà pensar que hi ha una alternativa millor a això. Del màxim que em puc preocupar és de morir de la millor manera possible.

 

Veig que penses en la mort.

No tant com els joves, que com que els acolloneix… Tens fills, vas patint.

 

Com t’agradaria afrontar-la?

L’has d’esperar i ja està. No és cap cerimònia important. El segon on passes a l’altra banda el passem tots. Els tontos i els llestos, no deu ser gaire difícil. Fer un poema és molt més difícil que morir-se. No el pot fer tothom, un poema. Morir-se està a l’abast de tothom.

 

A la teva arquitectura i als teus poemes els molesta la decoració.

Em fa nosa i m’impedeix arribar on tinc ganes d’arribar en aquell moment. Per dir-ho d’una manera més pomposa, la poesia és la recerca de la veritat. No de la filosòfica, una de menys pretensiosa però més dura i profunda. No entenc que per a això s’hagi de fer un poema que no s’entengui. Si no s’entén el poema, se’n pot anar a fer punyetes.

 

Parlàvem de l’àvia. La mare, en canvi…

És lluny. És d’una fortalesa tremenda. Jo passo molts anys creient-me que estava incapacitada per a l’amor i que era una dona freda. Utilitzava la religió per sustentar la moral, que era el que li interessava. Perquè tenia por, estava cagada de por, i la moral són quatre referències per estar segur. Saps que quan no compleixes aquell precepte moral, estàs insegur. I si el compleixes, segur. És la manera més elemental de fer front a la intempèrie. Després ella no estava capacitada per a l’expressió de l’amor. No en sabia. Venia un cop al curs, en tren. Aquell dia que era a Girona, tenia tantes ganes de ser útil que no destinava el dia a acariciar-te, fer-te petons o dir-te que maco que ets. El destinava a veure si anaves net, estaves endreçat, si estudiaves. Per a mi era un calvari, quan venia. Desitjava que vingués, però quan venia era un calvari. Obria el llibre d’estudi i es trobava un penis entrant a una vagina. Aquell diàleg el tinc gravat aquí…: “Què és això?”; “Una marca de cotxes”; “He dit que què és això?”; “Un home i una dona fent allò”; “Qui t’ho ha ensenyat?”; si li dius algú de Girona, cagada… “Un noi gran de Rubí”. Diàleg acabat. No tenia eines. Vaig trigar molt a entendre que m’estimava amb bogeria i no sabia com dir-ho. Havia de fer tantes coses amb un fill que l’essencial se li escapava.

 

I el pare?

L’origen humil fent una carrera de rics era l’origen de tots els desgavells. Era un home del Barri Xino. Els dos avis també deixa’ls córrer. El meu avi era el fill de la casa més rica de Castellbisbal. I el meu besavi ho perd tot a les cartes i l’avi, amb 14 anys, va a Barcelona a descarregar carros al Born. I no torna mai més a veure la seva família. La meva àvia és filla d’uns agricultors pobres de Sanaüja i als 12 anys la porten a fer de minyona a Barcelona. Va a casa els Ramón i Planes, al lloc dels senyors de Barcelona, al carrer Ample, fins que es casa. El màxim moment d’esplendor d’aquesta gent és quan van muntar un restaurant a la plaça Reial que no els va funcionar. El meu avi li diu al pare que ha d’estudiar a la universitat, que és l’única manera. La universitat llavors era el salt social. El noi pobre que entrava en una carrera i estudiava feia un salt social. El meu pare no va portar a casa mai cap company d’estudis. Li feia vergonya. Això li va portar uns merders que van arribar fins a mi. Recordo haver tingut sempre sota el llit el capot que el meu pare portava a la Guerra Civil, amb el forat per entrar al cap tapat per una peça especial. I recordo fent servir de manta aquell capot de color caqui. Aquestes coses. Però d’infelicitat, res de res. Coses materials en necessites molt poques per no crear infelicitat. Totes les altres són per comparació.

 

Escriuràs més versos?

Poemes sí, n’estic fent. Sempre.

08gen./17

London Grip Poetry Review

David Cooke finds Joan Margarit to be a poet of authentic experience who does not rely on tricks or strain after effect.

 

Love is a Place brings together Anna Crowe’s versions of the three most recent collections of poetry by Joan Margarit, the greatest living Catalan poet and, many would claim, one of the most significant poets writing in Spain today. It follows two previous English-language volumes of his poetry: Tugs in Fog (Boodaxe. 2006), a generous sampling from his first twenty years’ work, and Strangely Happy (Bloodaxe. 2011), which brought together two subsequent collections. Although Catalan is Margarit’s mother tongue, he started out as a poet writing in Spanish and was educated in that language during the years of Franco’s dictatorship, when the speech and culture of Catalonia were repressed. The poet’s bilingualism and his family’s experience of Spanish history are important aspects of his poetry, as expressed here in the opening lines of ‘Pillage’:

When I was a child they wanted me to pluck out the tongue
that my grandmother spoke to me in
as we came home from the fields at the end of the day.
Like stones, flowers, loneliness
all around, keeping us company, are words.

In ‘A History’, he faces unflinchingly his country’s past and his own family’s involvement in it:

A hundred years of war, my grandmother repeated:
she was a child living in a village where every night
she heard people fighting in the streets.
And she would tell me, as though it were a story,
about the day the soldiers dragged
her mother away to be shot at dawn
against the cemetery wall.
When I listened to her, I too was a child,
and my father, a soldier in a detention centre.

Significant, also, is the fact that Margarit is not a ‘career poet’, but was active as an architect for all of his professional life, a fact that has informed poems such as ‘Visits to Building Works’ or ‘Babel’: ‘I dreamed that I had to make the calculations / for a building of a thousand floors’ It is, perhaps, the attention to detail and the scientific discipline that is required of an architect that has shaped Margarit’s humane and unpretentious approach to the art and craft of poetry. In the eloquent prologue that he wrote for Tugs in Fog, he speaks of what poetry means to him and what he has tried to achieve in writing it. They are words well worth the consideration of any aspiring poet. For Margarit, poetry is unashamedly subjective and should arise from deeply felt, authentic experience. It is not about tricks or straining after effect. Early on, he quotes from Diderot: ‘Mediocrity is characterized by a taste for the extraordinary.’ For Margarit, as for Wordsworth, ‘poetry takes its origin from emotion recollected in tranquility.’ In fact, he seems to feel that the poet is almost forced to memorialize his past experience, whether he wishes to or not, that ‘forgetfulness’ is ‘a badly closed door’.

 

It is this truth to experience, conveyed in poetry that is uncluttered, articulate and devoid of pretension, that enables it to speak across a linguistic divide, although it should be said that Margarit has been fortunate in the close working relationship he has developed over the years with his English translator. Moreover, as Crowe suggests in her own introduction to Tugs in Fog, Catalan is a more consonantal language than Spanish and has a more staccato feel to it, which tends to harmonize well with the rhythms of English. This is exemplified in the bruised stoicism of ‘It Wasn’t Far Away or Difficult’, the title poem of the first collection included here:

The time has come
when life that is lost no longer hurts,
when lust is a useless light
and envy forgotten. It is a time
of wise and necessary losses,
it is not a time for arriving, but for going away.
It is now that love
finally coincides with intelligence.

Here the poetry is a question of grandiloquence and measured cadences, its musicality enhanced by alliteration and vocalic harmony. It’s a poetry based on the truth and simplicity that we often seem to have abandoned in our quest for novelty and far-fetched imagery. Referring again to Margarit’s prologue in Tugs in Fog, the reader will note his insistence that ‘poetry is not a question of content but of intensity.’ While one may accept that there is some truth in this statement, the content is nonetheless important in Margarit’s poetry and focuses on what is most important to us all: mortality, suffering, isolation, and the hard-won moments of love and peace that are achieved against that backdrop. It should be noted also that if Margarit’s poetry works so well in English, that may also owe much to his affinity with certain English poets, most notably, Hardy and Larkin.

 

At times he reminds one also of Cavafy in his evocations of old age. In ‘Strolling’ an old man remembers himself as ‘a serious child’ who ‘has been obedient all his life’ but concludes with a beautiful evocation of human transience:

The child returns and takes him by the hand. 
Both of them move away 
until they are a dot in the sky. Birds of passage.

As with Cavafy, old age brings wisdom and a sense of resignation that is nonetheless tinged with regret. In ‘I’ll Wait for You Here’ he laments that ‘ now / no women would want to dance with him. And he resigns himself to it, but he doesn’t smile’. As in the work of the great Alexandrian, there is also candour in acknowledging one’s sexuality. Here he is in ‘Old Man on the Beach’:

Ferocious summer floods the whole space.
With my gaze sliding over breasts and belly,
towards the pubis of this young woman,
a brutal longing is dazzling me. 

However, love in all its forms is central to this poet’s work: the love between a man and a woman and that between family members and, in particular, the poet’s love for his handicapped daughter, Joanna, who died prematurely. Its importance is made clear in the final lines of ‘Love is a Place’, the title poem of his most recent collection:

Love is a place.
It endures beyond everything: from there we come.
And it’s the place where life remains.

Sometimes the poet evokes the seeming impossibility of maintaining love, as in ‘The Sun on a Portrait’: ‘So much talking and so much arguing / while our love was slipping away from us’. In ‘Infidelity’ loss is clouded by guilt. In ‘Suffering’ he describes the anguish of parents at the inevitable loss of a child: ‘In the Accident & Emergency corridor I saw / our helplessness in your eyes.’

 

In Margarit’s poetry the reader will find no easy answers. In ‘The Origins of Tragedy’, God is dismissed as ‘the most brutal of myths’. Philosophy, likewise, provides no satisfactory explanations in ‘Lyric at 70’:

Let no one search in this lyric
for the big bonfires of the solstices.
It is philosophers who kindle them,
and religions, but they provide no warmth
for the cold there is in metaphysics,
which is the same as in superstition.

Ultimately, all the poet has is his poetry, a difficult and challenging art which is sometimes analogous to the rock of Sisyphus, but which nonetheless gives him solace and moments of illumination:

Poetry is the first logic.
It has always spoken of the same thing, and yet,
what it says is always new, just as the rising
of the sun or sky at night is new.

 

Website: http://londongrip.co.uk
Url: http://londongrip.co.uk/2017/01/london-grip-poetry-review-margarit/

14gen./19

POESIA I ARQUITECTURA, UN ÚNIC CAMÍ. JOAN MARGARIT AL COAC

El proper 19 de desembre a les 19.30 h, tindrà lloc al COAC la vetllada Poesia i Arquitectura, un únic camí. L’acte començarà amb una conversa entre l’arquitecta Sílvia Farriol i el també arquitecte i poeta Joan Margarit, que presenta el seu darrer llibre Per tenir casa cal guanyar la guerra.

 

Seguidament hi haurà un concert de jazz, amb Carles Margarit al saxo i Albert Bover al piano, acompanyat d’un recital de Joan Margarit.

 

L’acte està organitzat per la Cooperativa Jordi Capell i el Col·legi d’Arquitectes de Catalunya.

 

Recupera el vídeo amb la conversa, el recital i l’actuació musical:

 

 

http://arquitectes.cat/ca/content/poesia-i-arquitectura-un-%C3%BAnic-cam%C3%AD-joan-margarit-al-coac