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Poeta catalão Joan Margarit vence Prémio Cervantes 2019

Joan Margarit, poeta e arquiteto, foi escolhido pela sua poética de “transcendência profunda” e pela pluralidade da cultura peninsular que representa, explicou o júri

O poeta catalão Joan Margarit venceu o Prémio Cervantes de 2019, o mais prestigiado das letras espanholas, no valor de 125 mil euros, anunciou esta quinta-feira o ministro espanhol da Cultura, José Guirao. “O prémio recaiu sobre um grande poeta em língua espanhola e catalã e que era merecedor do prémio, como outros anteriores e outros que virão”, disse o ministro da Cultura.

Joan Margarit (Sanaüja, Lleida, 1938), poeta catalão bilingue, último galardoado com o Prémio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana, recebeu também os prémios Nacional de Poesia, Rosalía de Castro e Jaume Fuster. De acordo com o júri, Joan Margarit, poeta e arquiteto, foi escolhido pela sua poética de “transcendência profunda” e pela pluralidade da cultura peninsular que representa.

A obra poética de Joan Margarit, “de profunda transcendência e sempre inovadora linguagem lúcida, enriqueceu tanto a língua espanhola como a catalã, e representa a pluralidade da cultura peninsular numa dimensão universal de grande domínio”, sustentou o júri do prémio.

O júri foi presidido pela poeta uruguaia Ida Vitale, vencedora do Prémio Cervantes 2018, que revelou não ter apoiado o poeta catalão, mas sim o escritor Enrique Vila-Matas. O ministro da Cultura adiantou que já havia falado com Joan Margarit e que este revelou que estava “muito feliz e agradecido, encantado por receber o prémio”.

Depois de lembrar que no ano passado a regra não escrita de alternar o prémio entre escritores de ambos os lados do Atlântico, um ano espanhol e um ano latino-americano, foi quebrada (em 2017 venceu o escritor nicaraguense Sérgio Ramirez), o ministro enfatizou que os júris são autónomos no estabelecimento dos seus critérios.

“Ninguém pode duvidar da extraordinária qualidade poética” do Prémio Cervantes 2019, disse José Guirao, destacando que “todas as pluralidades são boas”. Poeta de palavras que soam em espanhol e catalão, Joan Margarit é um arquiteto de formação, que usou os versos para transmitir o seu pensamento, vida e ética em poemas que são odes à beleza das relações humanas.

Um poeta que se caracterizou pela sua defesa pública do catalão, “a única língua ou uma das poucas línguas cultas sem Estado” que existem, como salientou há dez dias, ao depositar o seu legado na Caixa das Letras do Instituto Cervantes.

“Eu sou um poeta catalão, mas também um poeta espanhol”, disse Joan Margarit, depois de lembrar que a ditadura lhe impôs o espanhol “com pontapés”. Mas “não vou devolvê-lo agora”, acrescentou. Este escritor, que leva meses para terminar os seus poemas, começou a escrever em espanhol, mas a partir de 1981 começou a publicar apenas em catalão e desde o final dos anos 1990 até hoje publica simultaneamente em ambas as línguas.

Joan Margarit estudou arquitetura em Barcelona, entre 1956 e 1961, tendo começado a sua atividade literária no final dos anos 50, mas só se tornou conhecido como poeta em espanhol entre 1963 e 1965. Como arquiteto, tornou-se também um dos mais relevantes no exercício da profissão nesses anos em Espanha, tendo assinado trabalhos como o Estádio Olímpico e o Anel de Montjuïc (1989), e colaborado em outros como as obras do emblemático templo católico Sagrada Família, desenhado pelo arquiteto catalão Antoni Gaudí.

Em Portugal foram publicados dois livros do autor: “Misteriosamente feliz: uma antologia”, pela Língua Morta (2015), e “Casa da Misericórdia”, pela editora Ovni (2007).

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